Dialogando sobre educação, ensino e aprendizagem no caminho da docência
DOI:
https://doi.org/10.48178/intersecao.v11i1.775Resumo
RESUMO: Este artigo contextualiza a educação na formação dos sujeitos em uma conjuntura global marcada pela aceleração tecnocientífica, desigualdades socioeconômicas e marginalização estrutural. Existe um paradoxo político e social que negligencia os investimentos em sala de aula e subvaloriza os profissionais da área para manter as estruturas sociais inalteradas. Diante disso, o objetivo do trabalho é refletir sobre a prática educativa e a formação docente sob a ótica de uma pedagogia voltada para a transformação social, estabelecendo um diálogo com as bases teóricas de Paulo Freire e Myles Horton. Trata-se de uma pesquisa teórica e bibliográfica de abordagem qualitativa. O estudo baseia-se na análise crítica e reflexiva de leituras acumuladas no movimento de formação docente, com centralidade na obra “O caminho se faz caminhando: conversas sobre educação e mudança social” (Freire; Horton, 2003), que promove um diálogo entre os autores analisados, além de outras obras de referência freireanas. As discussões estruturam-se em três eixos centrais extraídos do cruzamento das experiências dos autores analisados: Diálogo sobre a experiência, Participação e mudança social, e O conhecimento e a prática educacional. Destaca-se, no primeiro eixo, que o processo de ensino-aprendizagem exige uma curiosidade epistemológica onde “não existe ensinar sem aprender” (Freire, 1997, p. 19). A prática pedagógica legítima deve partir da escuta atenta, do respeito à linguagem, às crenças e às histórias de vida dos educandos. No segundo eixo, a alfabetização e o letramento são apresentados como ferramentas autênticas de luta e de conquista da cidadania, superando o ato mecânico de decodificar palavras. A Educação Popular busca a autonomia e recusa a neutralidade, a qual é classificada como uma conivência imoral frente às injustiças do sistema. No último eixo evidencia-se que a práxis pedagógica exige dos professores o domínio dos conteúdos científicos associado à compreensão crítica do contexto histórico e cultural dos alunos. O educador atua mediando os saberes e intervindo para promover a emancipação, distanciando-se de posturas autoritárias. O estudo reafirma a educação como um instrumento de emancipação e libertação humana construído coletivamente. Os desafios, tensões e inseguranças inerentes à prática docente revelam-se partes integrantes do próprio processo formativo, desde que orientados por um compromisso político e pedagógico. Conclui-se que a transformação social efetiva ocorre de maneira contínua, unindo o conhecimento científico à leitura de mundo dos sujeitos para combater as diversas formas de desumanização.
PALAVRAS-CHAVE: Formação docente, Paulo Freire, Transformação social, Diálogo, Prática pedagógica.
ABSTRACT: This article contextualizes education within the formation of individuals amidst a global landscape marked by techno-scientific acceleration, socioeconomic inequalities, and structural marginalization. A political and social paradox exists wherein classroom investment is neglected and education professionals are undervalued in order to maintain the status quo of social structures. Consequently, this study aims to reflect on educational practice and teacher training through the lens of a pedagogy geared toward social transformation, engaging in a dialogue with the theoretical foundations of Paulo Freire and Myles Horton. This is a qualitative study based on theoretical and bibliographic research. It relies on a critical and reflective analysis of literature regarding teacher training, centering on the work “O caminho se faz caminhando: conversas sobre educação e mudança social” (Freire; Horton, 2003) which fosters a dialogue between the authors, alongside other key Freirean texts. The discussion is structured around three central themes derived from the intersection of the authors' experiences: Dialogue on experience; Participation and social change; and Knowledge and educational practice. The first theme highlights that the teaching-learning process requires an epistemological curiosity in which “there is no teaching without learning” (Freire, 1997, p. 19). Legitimate pedagogical practice must be grounded in attentive listening and respect for the learners' language, beliefs, and life stories. The second theme presents literacy not merely as the mechanical act of decoding words, but as an authentic tool for struggle and the attainment of citizenship. Popular education seeks autonomy and rejects neutrality, viewing the latter as immoral complicity in the face of systemic injustices. Finally, the third theme demonstrates that pedagogical praxis requires teachers to combine mastery of academic content with a critical understanding of their students' historical and cultural contexts. The educator acts by mediating knowledge and intervening to foster emancipation, avoiding authoritarian stances. The study reaffirms education as an instrument of human emancipation and liberation that is collectively constructed. The challenges, tensions, and uncertainties inherent in teaching practice prove to be integral parts of the professional development process itself, provided they are guided by a political and pedagogical commitment. It is concluded that effective social transformation occurs continuously, combining scientific knowledge with the individuals' reading of the world to combat various forms of dehumanization.
KEYWORDS: Teacher education, Paulo Freire, Social transformation, Dialogue, Pedagogical practice.
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