Sementes de Soberania: o Projeto AgrobioSA como estratégia de conservação da Agrobiodiversidade e fortalecimento das Sementes Crioulas no Semiárido Alagoano
DOI:
https://doi.org/10.48178/intersecao.v10i1.854Resumo
RESUMO: O Semiárido brasileiro abriga uma expressiva diversidade biológica, cultural e agrícola, constituída historicamente pelos conhecimentos tradicionais das famílias agricultoras responsáveis pela conservação das sementes crioulas e pela construção de estratégias de convivência com as condições ambientais da região. Entretanto, a expansão do modelo agrícola convencional, a crescente utilização de sementes comerciais e transgênicas, as mudanças climáticas e a erosão genética vêm comprometendo a manutenção da agrobiodiversidade e da soberania alimentar dos territórios rurais. Nesse contexto, este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa em andamento vinculada ao Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido (AgrobioSA), integrante do InovaSocial da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), desenvolvido em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em Alagoas, o projeto é executado territorialmente pela Associação de Agricultores Alternativos (AAGRA) e pela COPPABACS. A pesquisa objetiva analisar as contribuições iniciais do AgrobioSA para o fortalecimento da conservação das sementes crioulas e da soberania alimentar no Agreste e Alto Sertão alagoano. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa fundamentada na observação participante, sistematização das ações desenvolvidas, registros de campo, oficinas formativas, reuniões comunitárias, intercâmbios territoriais e acompanhamento da implantação de ensaios comparativos participativos. Os resultados parciais evidenciam avanços na mobilização de guardiões e guardiãs de sementes, fortalecimento dos bancos comunitários, catalogação de variedades tradicionais, implantação de ensaios comparativos e ampliação dos espaços de formação e intercâmbio entre agricultores(as), pesquisadores(as) e organizações sociais. Observa-se que a metodologia participativa adotada pelo projeto fortalece os processos de conservação da agrobiodiversidade, valoriza os conhecimentos tradicionais e amplia o protagonismo das comunidades rurais na construção de estratégias de soberania alimentar e convivência sustentável com o Semiárido.
PALAVRAS-CHAVE: Agrobiodiversidade; sementes crioulas; soberania alimentar; agroecologia; Semiárido.
ABSTRACT: The Brazilian Semiarid region harbors significant biological, cultural, and agricultural diversity, historically shaped by the traditional knowledge of farming families responsible for conserving heirloom seeds and developing strategies to coexist with the region's environmental conditions. However, the expansion of the conventional agricultural model, the increasing use of commercial and transgenic seeds, climate change, and genetic erosion are compromising the maintenance of agrobiodiversity and food sovereignty in rural territories. In this context, this paper presents preliminary results from ongoing research linked to the Semiarid Agrobiodiversity Project (AgrobioSA)—part of the Brazilian Agricultural Research Corporation’s (EMBRAPA) InovaSocial initiative—developed in partnership with the Brazilian Semiarid Articulation (ASA) and funded by the National Bank for Economic and Social Development (BNDES). In Alagoas, the project is implemented locally by the Association of Alternative Farmers (AAGRA) and COPPABACS. The research aims to analyze AgrobioSA’s initial contributions to strengthening heirloom seed conservation and food sovereignty in the Agreste and Alto Sertão regions of Alagoas. Methodologically, this is a qualitative study based on participant observation, systematization of actions taken, field records, training workshops, community meetings, territorial exchanges, and monitoring the implementation of participatory comparative trials. Preliminary results show progress in mobilizing seed guardians, strengthening community seed banks, cataloging traditional varieties, establishing comparative trials, and expanding opportunities for training and exchange among farmers, researchers, and social organizations. It is observed that the participatory methodology adopted by the project strengthens agrobiodiversity conservation processes, values traditional knowledge, and enhances the leading role of rural communities in developing strategies for food sovereignty and sustainable coexistence with the Semiarid region.
KEYWORDS: Agrobiodiversity; heirloom seeds; food sovereignty; agroecology; Semiarid region.
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