Bioinsumos como alternativa sustentável: percepções dos agricultores da Comunidade Alagoinha em Coité do Nóia, Alagoas
DOI:
https://doi.org/10.48178/intersecao.v10i1.825Resumo
RESUMO: A agricultura contemporânea enfrenta o desafio de conciliar produtividade e sustentabilidade ambiental. O uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, como NPK e salitre, tem gerado preocupações relacionadas à degradação ambiental e aos riscos à saúde humana. Nesse contexto, a agroecologia destaca-se como alternativa capaz de reduzir a dependência desses insumos por meio da utilização de bioinsumos, produzidos a partir de plantas ou microrganismos. Na Comunidade Alagoinha, localizada em Coité do Nóia (AL), onde a agricultura familiar constitui a principal atividade econômica, torna-se relevante compreender as possibilidades de adoção dessas práticas sustentáveis. A pesquisa teve como problemática investigar como os agricultores da comunidade percebem os impactos dos agrotóxicos e quais fatores dificultam a adoção de bioinsumos. Partiu-se da hipótese de que, embora exista uma percepção negativa sobre os defensivos químicos, a falta de conhecimento técnico e o acesso limitado aos bioinsumos dificultam sua substituição. O objetivo geral foi analisar a percepção dos agricultores familiares acerca dos impactos dos insumos químicos e da viabilidade dos bioinsumos como alternativa sustentável. Os objetivos específicos incluíram identificar o perfil produtivo local, compreender o padrão de uso dos agrotóxicos, avaliar o conhecimento sobre bioinsumos e reconhecer as principais barreiras à transição agroecológica. A pesquisa possui caráter qualitativo e aplicado, configurando-se como estudo de caso. A coleta de dados ocorreu em 2026, por meio de entrevistas semiestruturadas com quatro agricultores familiares da Comunidade Alagoinha, todos participantes mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os dados foram analisados de forma interpretativa, considerando a realidade observada em campo. Os resultados indicaram que os participantes possuem ampla experiência na agricultura familiar, com mais de 40 anos de atuação. Observou-se o uso frequente de fertilizantes sintéticos, especialmente NPK 15/15/18 e salitre, aplicados no início dos cultivos. Os relatos evidenciaram a existência do chamado “medo de perder a safra”, fator que reforça a permanência no modelo convencional por representar maior segurança econômica. Além disso, foram identificadas dificuldades relacionadas à falta de assistência técnica, ao desconhecimento sobre práticas agroecológicas e aos custos percebidos da transição. Conclui-se que a dependência dos insumos químicos está associada à vulnerabilidade econômica e à escassez de orientação técnica. Como proposta de intervenção, sugere-se a elaboração de uma cartilha ilustrada com linguagem acessível, contendo orientações e receitas de defensivos naturais de baixo custo, visando ampliar o conhecimento dos agricultores e incentivar práticas mais sustentáveis.
PALAVRAS-CHAVE: Agroecologia; Bioinsumos; Agricultura Familiar; Sustentabilidade; Alagoas.
ABSTRACT: Contemporary agriculture faces the challenge of reconciling productivity with environmental sustainability. The intensive use of pesticides and synthetic fertilizers such as NPK and saltpeter has raised concerns regarding environmental degradation and risks to human health. In this context, agroecology stands out as an alternative capable of reducing reliance on these inputs through the use of bio-inputs derived from plants or microorganisms. In the Alagoinha Community, located in Coité do Nóia (Alagoas) where family farming is the primary economic activity it is important to understand the potential for adopting these sustainable practices. The research aimed to investigate how the community's farmers perceive the impacts of pesticides and which factors hinder the adoption of bio-inputs. The study was based on the hypothesis that, despite a negative perception of chemical pesticides, a lack of technical knowledge and limited access to bio-inputs impede their replacement. The general objective was to analyze family farmers' perceptions regarding the impacts of chemical inputs and the viability of bio-inputs as a sustainable alternative. Specific objectives included identifying the local production profile, understanding pesticide usage patterns, assessing knowledge about bio-inputs, and recognizing the main barriers to the agroecological transition. This is a qualitative, applied study conducted as a case study. Data collection took place in 2026 through semi-structured interviews with four family farmers from the Alagoinha Community, all of whom participated after signing an Informed Consent Form (ICF). The data were analyzed interpretatively, taking into account the reality observed in the field. The results indicated that the participants possess extensive experience in family farming, with over 40 years of activity. Frequent use of synthetic fertilizers was observed specifically NPK 15/15/18 and saltpeter applied at the beginning of the cropping cycle. The accounts highlighted the existence of the so-called “fear of losing the harvest,” a factor that reinforces adherence to the conventional model due to the greater economic security it offers. Furthermore, difficulties were identified regarding the lack of technical assistance, a lack of knowledge about agroecological practices, and the perceived costs of the transition. It is concluded that reliance on chemical inputs is linked to economic vulnerability and a scarcity of technical guidance. As an intervention strategy, the creation of an illustrated booklet using accessible language is proposed; this would contain guidelines and recipes for low-cost natural pest control products, aiming to expand farmers' knowledge and encourage more sustainable practices.
KEYWORDS: Agroecology; Bio-inputs; Family farming; Sustainability; Alagoas.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Marcela de Souza Silva, Wandérson Mulato de Andrade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os autores detém os direitos autorais sem restrições, devendo informar a publicação inicial nesta revista, em caso de nova publicação de algum trabalho.
