Água potável e saúde: um estudo na Escola José de Sena Filho, no município de Coité do Noia, Alagoas
DOI:
https://doi.org/10.48178/intersecao.v10i1.829Resumo
RESUMO: A água potável constitui um direito humano fundamental e um recurso indispensável à promoção da saúde, da qualidade de vida e do processo educativo. Entretanto, em muitas escolas do campo, ainda persistem limitações relacionadas ao acesso e à qualidade da água destinada ao consumo humano, comprometendo o bem-estar dos estudantes e as condições de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo analisar os impactos da insuficiência de água potável na saúde dos estudantes da Escola Municipal José de Sena Filho, localizada no município de Coité do Noia, Alagoas, bem como propor alternativas que contribuam para a melhoria das condições de acesso a esse recurso no ambiente escolar. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritiva, desenvolvida por meio de um estudo de caso. A coleta de dados ocorreu mediante entrevistas semiestruturadas realizadas com 13 participantes, sendo um diretor, um coordenador pedagógico e onze professores, os quais autorizaram sua participação por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A fundamentação teórica baseou-se nas contribuições de Arroyo, Freire e Morin, além das diretrizes do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde e da legislação brasileira referente à qualidade da água para consumo humano. Os resultados evidenciaram que a comunidade escolar demonstra preocupação quanto à qualidade da água disponibilizada aos estudantes, destacando insegurança em relação ao sabor, à aparência e à confiabilidade do tratamento realizado. Tais aspectos revelam possíveis riscos à saúde, especialmente pela possibilidade de ocorrência de doenças de veiculação hídrica, além de interferirem nas condições de permanência, aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes. Os dados também reforçam que a garantia de água potável representa um elemento essencial para a efetivação do direito à educação de qualidade nas escolas do campo. Como possibilidades de intervenção, propõem-se a instalação de filtros, manutenção periódica das caixas d'água, ampliação do acesso à água tratada e desenvolvimento de ações educativas voltadas ao consumo consciente da água e à promoção da saúde. Conclui-se que a melhoria das condições de abastecimento hídrico no ambiente escolar exige ações articuladas entre escola, poder público e comunidade, fortalecendo políticas públicas capazes de assegurar infraestrutura adequada e melhores condições de vida para os estudantes do campo. O estudo contribui para ampliar as discussões sobre a interface entre educação, saúde e meio ambiente, reafirmando a água potável como condição indispensável para a garantia da cidadania e da justiça social.
PALAVRAS-CHAVE: água potável; saúde escolar; Educação do Campo; qualidade da água; políticas públicas.
ABSTRACT: Potable water is a fundamental human right and an indispensable resource for promoting health, quality of life, and the educational process. However, in many rural schools, limitations regarding access to and the quality of water intended for human consumption persist, compromising student well-being as well as teaching and learning conditions. In this context, this study aimed to analyze the impact of insufficient potable water on the health of students at the José de Sena Filho Municipal School, located in the municipality of Coité do Noia, Alagoas, and to propose alternatives to improve access to this resource within the school environment. The research is qualitative and descriptive in nature, conducted as a case study. Data collection involved semi-structured interviews with 13 participants a principal, a pedagogical coordinator, and eleven teachers who authorized their participation by signing an Informed Consent Form. The theoretical framework drew upon the contributions of Arroyo, Freire, and Morin, as well as guidelines from the Ministry of Health, the World Health Organization, and Brazilian legislation regarding water quality for human consumption. The results revealed that the school community is concerned about the quality of the water provided to students, highlighting uncertainty regarding its taste, appearance, and the reliability of the treatment process. These issues indicate potential health risks particularly the possibility of waterborne diseases and negatively affect the conditions necessary for students to remain in school, learn, and develop. The data also reinforce that ensuring access to potable water is essential for realizing the right to quality education in rural schools. Proposed interventions include installing filters, performing periodic maintenance on water storage tanks, expanding access to treated water, and developing educational initiatives focused on conscious water consumption and health promotion. It is concluded that improving water supply conditions in the school environment requires coordinated action among schools, public authorities, and the community, thereby strengthening public policies capable of ensuring adequate infrastructure and better living conditions for rural students. The study contributes to broadening discussions on the intersection of education, health, and the environment, reaffirming access to potable water as an essential condition for guaranteeing citizenship and social justice.
KEYWORDS: potable water; school health; rural education; water quality; public policies.
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