EJAI: diálogo, resistência e o legado de Paulo Freire frente à contemporaneidade

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DOI:

https://doi.org/10.48178/intersecao.v11i1.792

Resumo

RESUMO: Este artigo analisa a Educação de Jovens, Adultos e idosos (EJAI) no Brasil, enfocando o paradoxo contemporâneo entre o contingente de cidadãos sem educação básica e o declínio acentuado das matrículas na modalidade. Investiga-se a transição normativa entre a Resolução CNE/CEB nº 01/2021, de caráter funcionalista e neoliberal e a recente Resolução CNE/CEB nº 03/2025, que surge como um marco de resistência ao restabelecer a presencialidade e a autonomia curricular. Essa pesquisa parte do seguinte questionamento: Como o legado pedagógico de Paulo Freire fundamenta a resistência contra a precarização da EJAI, orientando que se construa uma educação emancipatória no cerne dos recentes retrocessos normativos? O objetivo geral é analisar as lutas sociais que legalizam a EJAI. Dentre os objetivos específicos são elencados: elucidar as novas diretrizes operacionais para a EJAI que propõem uma educação funcional, emancipatória e autônoma; descrever analiticamente o perfil plural dos sujeitos da EJAI; explicitar o método de alfabetização de Paulo Freire baseado no diálogo e na conscientização crítica. A investigação se fundamenta em análise teórica e documental, com percurso metodológico envolvendo a análise das normativas educacionais, o Pacto pela alfabetização e as Resoluções de 2021 e 2025, cujas categorias analíticas abordam o dualismo educacional e a discussão sobre o perfil do educando e o direito à educação. A discussão abarca a pluralidade do perfil do educando marcado por trajetórias de exclusão, experiência existencial e a necessidade de uma prática pedagógica dialógica que supere o dualismo educacional histórico. Conclui-se que o legado freireano permanece essencial para que a educação se constitua como ferramenta de transformação social e inserção sociopolítica dos sujeitos populares.

PALAVRAS-CHAVE: Educação de Jovens e Adultos (EJA). Paulo Freire. Diálogo.

 

ABSTRACT: This article analyzes Youth, Adult, and Elderly Education (EJAI) in Brazil, focusing on the contemporary paradox between the number of citizens without basic education and the sharp decline in enrollments. It investigates the normative transition between Resolution CNE/CEB No. 01/2021, functionalist and neoliberal in character, and the recent Resolution CNE/CEB No. 03/2025, which emerges as a milestone of resistance by restoring in-person learning and curricular autonomy. This research stems from the following question: How does Paulo Freire’s pedagogical legacy ground the resistance against the precarization of EJAI, guiding the construction of an emancipatory education amidst recent normative setbacks? The general objective is to analyze the social struggles that legalize EJAI. Specific objectives include: elucidating new operational guidelines for EJAI; describing the plural profile of EJAI subjects; and explaining Freire's literacy method based on dialogue and critical awareness. The investigation is based on theoretical and documentary analysis of educational regulations, including the 2021 and 2025 Resolutions. It concludes that Freire’s legacy remains essential for education to serve as a tool for social transformation and sociopolitical inclusion.

KEYWORDS: Youth and Adult Education (EJA). Paulo Freire. Dialogue.

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Biografia do Autor

Débora Suzane de Araújo Faria, Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

Possui graduação em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1991) e mestrado em Educação pela mesma instituição (2014). Faz doutoramento em Ciências da Educação, Especialidade em Educação, Desenvolvimento Comunitário e Formação de Adultos na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Há 17 anos desempenha a função de Pedagoga no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) Campus Natal-Central. É membro do Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (GEPEPF). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em processos educativos, atuando principalmente nas seguintes temáticas: representações sociais, adolescência, linguagem iconográfica (desenhos), filosofia da educação, cultura popular, construtivismo e Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional (PROEJA).

Maria Aparecida Vieira de Melo

Pós-doutoranda na Universidade de Évora. Professora do Departamento de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do Seridó (UFRN/CERES). Professora Permanente e Coordenadora da Comissão Pedagógica do Programa de Pós-graduação em Direitos Humanos da Universidade Federal de Pernambuco (PPGDH/UFPE) e do Programa de Pós-Graduação em Metodologias de Ensino e Processos de Aprendizagem (PPGNAP - UFRN/CERES). Professora da Unidade Acadêmica de Educação a Distância e Tecnologia/Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAEADTec/UFRPE). Membro titular da Comissão Nacional de Educação Jovens e Adultos, na Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (SECADI-MEC). Membro titular da Comissão de Avaliação do Prêmio Medalha Paulo Freire. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire pela (GEPEPF - UFRN/CERES). Presidenta da Associação Potiguar de Trabalhadores (as) da Educação Integral (ASPOTEI). Coordenadora do Comitê Territorial da Educação Integral - polo Caicó. Coordenadora da Rede Brasileira de Direitos Humanos Pernambuco (ReBEDH). Diretora pedagógica do Centro Paulo Freire - Estudos e Pesquisas Pernambuco (CPFreire). Coordenadora do Fórum Metropolitano de Educação de Jovens e Adultos Pernambuco (Fórum EJA PE). Membro da Rede Nacional de Pedagogia (RePPed Brasil). Membro Fundadora da Rede Brasileira por Instituições Educativas Socialmente Justas e Aldeias, Campos e Cidades que Educam (REDHUMANI).

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Publicado

2026-09-14

Como Citar

Faria, D. S. de A., & Melo, M. A. V. de. (2026). EJAI: diálogo, resistência e o legado de Paulo Freire frente à contemporaneidade. Revista Interseção, 11(1), 144–162. https://doi.org/10.48178/intersecao.v11i1.792

Edição

Seção

Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas - Educação e Envelhecimento