Resistências, recampesinização e transição agroecológica: reconfigurações epistêmicas e socioterritoriais das agriculturas familiares
DOI:
https://doi.org/10.48178/intersecao.v10i1.795Resumo
RESUMO: Este artigo analisa a recampesinização e a transição agroecológica como processos articulados de resistência e reconfiguração das agriculturas familiares frente à hegemonia do regime agroindustrial. Parte-se do reconhecimento de uma crise estrutural multidimensional que envolve dimensões ecológicas, econômicas, políticas e epistemológicas, a partir da qual emergem alternativas contra-hegemônicas baseadas na diversidade, autonomia e sustentabilidade. O objetivo consiste em compreender em que condições esses processos operam como formas efetivas de transformação socioterritorial. Metodologicamente, trata-se de um estudo teórico-analítico de natureza crítico-dialética, fundamentado em literatura contemporânea e em diálogo com autores clássicos. Os resultados indicam que a recampesinização e a agroecologia constituem não apenas práticas produtivas, mas projetos políticos e epistemológicos em disputa, marcados por contradições, limites e potencialidades. Conclui-se que tais processos apontam para a construção de novos paradigmas de desenvolvimento rural, embora condicionados por estruturas de poder e desafios institucionais persistentes.
PALAVRAS-CHAVE: recampesinização; agroecologia; agricultura familiar; resistência sociopolítica; desenvolvimento rural.
ABSTRACT: This article analyzes repeasantization and agroecological transition as interconnected processes of resistance and reconfiguration of family farming in the face of the hegemonic agroindustrial regime. It starts from the recognition of a multidimensional structural crisis involving ecological, economic, political, and epistemological dimensions, from which counter-hegemonic alternatives emerge based on diversity, autonomy, and sustainability. The objective is to understand under which conditions these processes operate as effective forms of socio-territorial transformation. Methodologically, this is a theoretical-analytical study grounded in a critical-dialectical approach, based on contemporary literature and in dialogue with classical authors. The findings indicate that repeasantization and agroecology are not merely productive practices but political and epistemological projects under dispute, marked by contradictions, limits, and potentialities. It concludes that these processes point toward new paradigms of rural development, although constrained by power structures and persistent institutional challenges.
KEYWORDS: repeasantization; agroecology; family farming; sociopolitical resistance; rural development.
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