Educação do Campo e história de vida: reflexões, narrativas, memórias e experiências educativas na região do Oeste Paraense

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DOI:

https://doi.org/10.48178/intersecao.v9i1.758

Resumo

RESUMO: Este artigo é resultado das ações didático-pedagógicas realizadas no primeiro semestre do curso de Pedagogia do Campo, ofertado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), campus Óbidos, em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Este texto tem como objetivo analisar a história de vida da autora, na condição de mulher que vive no e do campo, com enfoque para as experiências educativas, as tensões, os desafios e as lutas pelo direito à educação na região do oeste paraense. O recorte temporal compreende as fases da infância, juventude, constituição familiar, interrupção e retorno dos estudos em escolas do campo, até o ingresso no Ensino Superior por meio da política do Pronera. A relevância do estudo reside na centralidade de (re)conhecer e valorizar as vozes e experiências de vida de mulheres do campo, a fim de constituir um movimento de atribuições de sentidos às experiências escolares e pessoais, relacionando passado, presente e futuro. O diálogo teórico fundamenta-se nas contribuições de Caldart (2008), que defende a Educação do Campo como projeto político-pedagógico de transformação social, e de Paulo Freire (1996), ao enfatizar que a educação deve promover a conscientização e a autonomia dos educandos, para que se reconheçam como sujeitos históricos capazes de intervir na realidade em que estão inseridos, entre outros autores. Para tanto, adota-se uma metodologia de abordagem qualitativa, fundamentada no método (auto)biográfico (Nóvoa; Finger, 2010) e associada às narrativas de vida e da trajetória de escolarização, utilizando como instrumento e técnica de coleta de dados as memórias individuais e coletivas. Os resultados evidenciam que o percurso formativo foi marcado por longas distâncias geográficas, infraestrutura escolar precária, ausência de política de assistência estudantil e, simultaneamente, por redes de solidariedade e mobilização comunitária em defesa da escola pública. Conclui-se que a análise da história de vida possibilitou compreender que a trajetória de escolarização foi permeada por desigualdades sociais, mas também por lutas e resistências em prol da garantia de direitos à educação, assegurados, sobretudo, pela política do Pronera que, após quase sete anos sem estudar, possibilitou o acesso ao Ensino Superior na condição de mulher que vive no e do campo na região do oeste paraense.

PALAVRAS-CHAVE: Políticas educacionais. Narrativas(auto)biográficas. Direito à educação.

 

ABSTRACT: This article is the result of educational activities carried out during the first semester of the Rural Education program offered by the Federal University of Western Pará (Ufopa), Óbidos campus, in partnership with the National Institute of Colonization and Agrarian Reform (INCRA) and the National Program for Education in Agrarian Reform (PRONERA). This text aims to analyze the author’s life story as a woman living in and of the countryside, with a focus on educational experiences, tensions, challenges, and struggles for the right to education in the western region of Pará. The time frame encompasses the phases of childhood, youth, family formation, interruption and resumption of studies in rural schools, up to entry into higher education through the Pronera policy. The relevance of the study lies in the centrality of (re)cognizing and valuing the voices and life experiences of rural women, in order to constitute a movement of attributing meaning to school and personal experiences, relating past, present, and future. The theoretical framework is grounded in the contributions of Caldart (2008), who advocates for Rural Education as a political-pedagogical project of social transformation, and Paulo Freire (1996), who emphasizes that education must promote the awareness and autonomy of learners so that they recognize themselves as historical subjects capable of intervening in the reality in which they are embedded, among other authors.  To this end, a qualitative research methodology is adopted, grounded in the (auto)biographical method (Nóvoa; Finger, 2010) and linked to life narratives and educational trajectories, using individual and collective memories as the data collection instrument and technique. The results show that the educational journey was marked by long geographical distances, poor school infrastructure, the absence of student support policies, and, simultaneously, by networks of solidarity and community mobilization in defense of public schools. It is concluded that the analysis of life histories made it possible to understand that the educational trajectory was permeated by social inequalities, but also by struggles and resistance in the name of guaranteeing the right to education, secured above all by the Pronera policy, which, after nearly seven years without studying, enabled access to higher education for a woman living in and from the countryside in the western region of Pará.

KEYWORDS: Educational policies. (Auto)biographical narratives. Right to education.

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Biografia do Autor

Glene Guimarães de Azevedo, Universidade Federal do Oeste do Pará, Campus Óbidos

Servidora pública da secretaria municipal de educação de Óbidos (Semed) no cargo de Agente de Serviços Gerais. Discente do curso de pedagogia/Pronera da Universidade Federal do Pará (Ufopa) Campus Obidos.

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Publicado

2026-06-09

Como Citar

Azevedo, G. G. de, Costa, F. F. da, & Oliveira, D. A. de. (2026). Educação do Campo e história de vida: reflexões, narrativas, memórias e experiências educativas na região do Oeste Paraense. Revista Interseção, 9(1), 95–114. https://doi.org/10.48178/intersecao.v9i1.758