Educação do Campo, Resistência e Identidade Cultural: vozes, memórias e experiências educativas de um jovem quilombola

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DOI:

https://doi.org/10.48178/intersecao.v9i1.756

Resumo

RESUMO: Este artigo tem como objetivo analisar a história de vida de um sujeito quilombola, mobilizando memórias e experiências escolares, revelando tensões, resistências e contradições na luta pelo direito à Educação do/no Campo no contexto amazônico. O recorte temporal das experiências vividas está situado entre o período de 2004 a 2025, compreendendo as fases da infância, juventude, início da escolarização básica até o ingresso no Ensino Superior no curso de Pedagogia do Campo, ofertado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), campus Óbidos, por meio da parceria institucional entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). O estudo justifica-se pela necessidade de dar visibilidade às vozes historicamente silenciadas e de compreender como os sujeitos do campo (as juventudes) vivenciam, na prática, os avanços e as limitações das políticas públicas educacionais. As discussões e reflexões teóricas fundamentam-se em autores como Caldart (2008); Freire (1979); Stuart Hall (2006), Arroyo (2012); Munanga (2005), entre outros. Adotou-se uma metodologia de abordagem qualitativa, fundamentada nos princípios do método (auto)biográfico (Nóvoa; Finger, 2010) e na perspectiva da história de vida com ênfase para as narrativas de escolares. Os resultados evidenciam que a trajetória escolar do jovem quilombola foi marcada por deslocamento geográfico, precariedade estrutural das escolas do campo, ausência de políticas educacionais e por experiências de discriminação racial e social. Ao mesmo tempo, as narrativas revelam estratégias de resistência construídas na coletividade, visando o fortalecimento identitário e a valorização dos saberes tradicionais a partir da participação em movimentos sociais organizados como forma de enfrentamento às desigualdades sócio-históricas e educacionais. Conclui-se que a história de vida analisada constitui importante instrumento de reflexão crítica sobre os limites e possibilidades da Educação do Campo no contexto amazônico. Ademais, enfatiza-se que a história de vida, quando orientada pela perspectiva de transformação social defendida pela política do Pronera, torna-se de fundamental importância para que a maioria das pessoas, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade social, tenha acesso a uma educação de qualidade, crítica e emancipadora.

PALAVRAS-CHAVE: Pedagogia do campo. Direito à educação. Juventude quilombola.

 

ABSTRACT: This article aims to analyze the life story of a quilombola subject, drawing on memories and school experiences, revealing tensions, resistance, and contradictions in the struggle for the right to education in rural areas in the Amazon context. The time frame of the experiences covered is from 2004 to 2025, encompassing the phases of childhood, youth, and early basic schooling until entry into higher education in the Rural Education Course offered by the Federal University of Western Pará (Ufopa), Óbidos Campus, through an institutional partnership between the Institute of Colonization and Agrarian Reform (Incra) and the National Program for Education in Agrarian Reform (Pronera). Thus, the study is justified by the need to give visibility to historically silenced voices and to understand how rural subjects (young people) experience, in practice, the advances and limitations of public education policies. The theoretical discussions and reflections are based on authors such as Caldart (2008); Freire (1979); Stuart Hall (2006), Arroyo (2012); Munanga (2005), among others. We adopt a qualitative approach methodology, based on the principles of the (auto)biographical method (Nóvoa, Finger, 2010) and on the perspective of life history with an emphasis on schoolchildren's narratives. The results show that this young quilombola's educational trajectory was marked by geographical displacement, structural precariousness of rural schools, lack of educational policies, and experiences of racial and social discrimination. At the same time, the narratives reveal strategies of resistance built collectively, aimed at strengthening identity and valuing traditional knowledge through participation in organized social movements as a way of confronting socio-historical and educational inequalities. It is concluded that the life history analyzed constitutes an important tool for critical reflection on the limits and possibilities of Rural Education in the Amazonian context. Furthermore, it is emphasized that when guided by the perspective of social transformation advocated by Pronera policy, life history becomes of fundamental importance for most people, especially those in situations of greater social vulnerability, to have access to quality, critical, and emancipatory education.

KEYWORDS: Rural education. Right to education. Quilombola youth.

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Publicado

2026-06-09

Como Citar

Oliveira, F. S. de, & Costa, F. F. da. (2026). Educação do Campo, Resistência e Identidade Cultural: vozes, memórias e experiências educativas de um jovem quilombola. Revista Interseção, 9(1), 75–94. https://doi.org/10.48178/intersecao.v9i1.756