A roça como um território de aprendizado e resistência cultural em Concórdia do Pará/Amazônia
DOI:
https://doi.org/10.48178/intersecao.v9i1.762Resumo
RESUMO: Este texto investiga a configuração de práticas educativas no trabalho na e da roça por meio da caracterização dos saberes e das vivências dos três moradores mais antigos da comunidade Santa Maria V, no município de Concórdia do Pará. O estudo adotou uma abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de pesquisa de campo sob o enfoque do materialismo histórico-dialético. A base teórico-conceitual sustenta-se nas contribuições de Carlos Rodrigues Brandão (1985), Bernardo Mançano Fernandes (2005), Paulo Freire (1987), Maria das Graças da Silva (2007; 2017; 2018; 2021) e Jaume Trilla (2008), especialmente sobre as modalidades de educação em ambiente de educação não formal. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas e observação participante, sendo posteriormente sistematizados pela análise de conteúdo. Os resultados comprovaram que os processos educativos da roça se baseiam na transmissão de saberes entre as gerações pelo diálogo e pela mediação, bem como na reprodução da atividade laboral dos pais pelos filhos. Assim, as vivências desses sujeitos contribuem para que a roça seja um espaço de circulação de conhecimento, cujas dinâmicas socioeducativas dialogam e se equiparam à educação formal praticada nos centros urbanos.
PALAVRAS-CHAVE: Práticas Educativas. Saberes. Território Educativo
ABSTRACT: This text examines the educational practices in rural labor by characterizing the knowledge and experiences of the three oldest residents of the Santa Maria V community, located in Concórdia do Pará, north of Brazil. The study adopts a qualitative approach, developed through field research grounded in a historical-dialectical materialism perspective. Its theoretical and conceptual framework is based on the contributions of Carlos Rodrigues Brandão (1985), Bernardo Mançano Fernandes (2005), Paulo Freire (1987), Maria das Graças da Silva (2007; 2017; 2018; 2021) and Jaume Trilla (2008), especially on the modalities of education in non-formal environments. Data were collected through semi-structured interviews and participant observation, later systematized using content analysis. The results reinforced that the educational processes in rural areas are based on the intergenerational transmission of knowledge through dialogue and mediation, as well as on the reproduction of parents’ labor activity by their children. Thus, the experiences of these individuals contribute to establishing the rural field as a space for the circulation of knowledge, whose socio-educational dynamics both interact with and are equivalent to the formal education practiced in urban centers.
KEYWORDS: Educational Practices. Knowledge. Rural Labor.
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