A importância da gameficação no ensino de Química
DOI:
https://doi.org/10.48178/intersecao.v10i1.664Resumo
RESUMO: O ensino de Química, ao longo dos anos, tem enfrentado desafios relacionados à abstração dos conteúdos e à dificuldade dos estudantes em compreender sua aplicação prática no cotidiano. Essa problemática reflete um modelo de ensino tradicional, centrado na memorização e na exposição teórica, que frequentemente distancia o aluno do papel ativo no processo de aprendizagem (Kalogiannakis; Papadakis; Zourmpakis, 2021). Nesse cenário, a gamificação surge como uma estratégia pedagógica inovadora capaz de romper barreiras cognitivas e emocionais, tornando o aprendizado mais envolvente, dinâmico e significativo. Este artigo tem como objetivo discutir a importância da gamificação no ensino de Química, apresentando evidências teóricas e empíricas que comprovam sua eficácia como metodologia ativa. Fundamentado em autores como Ryan e Deci (2020), Oliveira et al. (2021) e Ruiz et al. (2024), o estudo aborda a gamificação a partir das bases da Teoria da Autodeterminação e da Teoria do Flow, que explicam os mecanismos psicológicos responsáveis pelo engajamento e pela motivação intrínseca do estudante. Metodologicamente, realizou-se um estudo cienciométrico de publicações compreendidas entre os anos de 2010 e 2025, abrangendo bases de dados como Scopus, Web of Science, Google Scholar, Journal of Chemical Education e Frontiers in Education. O levantamento incluiu trabalhos empíricos, revisões sistemáticas e experiências didáticas envolvendo jogos digitais, escape rooms, quizzes e cursos inteiramente gamificados. As análises indicaram uma expansão significativa das pesquisas a partir de 2020, coincidindo com o período de ensino remoto durante a pandemia, quando metodologias interativas tornaram-se essenciais para manter o engajamento discente (Maršálek; Trčková; Václavíková, 2024).Os resultados evidenciaram que mais de 70% dos estudos analisados relataram ganhos concretos de motivação, desempenho e colaboração entre os alunos, além de melhorias na retenção de conteúdos e redução da ansiedade escolar (Ruiz et al., 2024; Lathwesen; Belova, 2023). Práticas envolvendo plataformas digitais, como Kahoot e Quizizz (Al Ghawail, 2022), e jogos analógicos, como Snakeleev (Galizia et al., 2025), demonstraram potencial para tornar conceitos abstratos, como ligações químicas e estequiometria, mais acessíveis e concretos. O estudo também destacou que o sucesso da gamificação depende do equilíbrio entre desafio, feedback e colaboração, princípios que sustentam o estado de flow e a autonomia do aprendiz (Oliveira et al., 2021; Ryan; Deci, 2020). Conclui-se que a gamificação consolida-se como uma das metodologias mais promissoras do ensino de Ciências, promovendo engajamento, aprendizado significativo e desenvolvimento socioemocional. No ensino de Química, em especial, ela transforma o abstrato em experiência concreta e aproxima o aluno da prática científica. O estudo reforça que, quando planejada de forma crítica e inclusiva, a gamificação não apenas facilita o ensino, mas também humaniza o processo educativo, tornando o conhecimento químico mais vivo, participativo e prazeroso.
PALAVRAS-CHAVE: gamificação; ensino de Química; metodologias ativas; motivação; aprendizagem significativa.
ABSTRACT: Chemistry education, over the years, has faced challenges related to the abstraction of content and the difficulty students have in understanding its practical application in everyday life. This problem reflects a traditional teaching model, centered on memorization and theoretical exposition, which often distances the student from an active role in the learning process (Kalogiannakis; Papadakis; Zourmpakis, 2021). In this scenario, gamification emerges as an innovative pedagogical strategy capable of breaking down cognitive and emotional barriers, making learning more engaging, dynamic, and meaningful. This article aims to discuss the importance of gamification in chemistry education, presenting theoretical and empirical evidence that proves its effectiveness as an active methodology. Based on authors such as Ryan and Deci (2020), Oliveira et al. (2021), and Ruiz et al. (2024), the study addresses gamification from the foundations of Self-Determination Theory and Flow Theory, which explain the psychological mechanisms responsible for student engagement and intrinsic motivation. Methodologically, a scientometric study of publications between 2010 and 2025 was carried out, encompassing databases such as Scopus, Web of Science, Google Scholar, Journal of Chemical Education, and Frontiers in Education. The survey included empirical works, systematic reviews, and didactic experiences involving digital games, escape rooms, quizzes, and fully gamified courses. Analyses indicated a significant expansion of research from 2020 onwards, coinciding with the period of remote learning during the pandemic, when interactive methodologies became essential to maintain student engagement (Maršálek; Trčková; Václavíková, 2024). The results showed that more than 70% of the studies analyzed reported concrete gains in motivation, performance, and collaboration among students, as well as improvements in content retention and a reduction in school anxiety (Ruiz et al., 2024; Lathwesen; Belova, 2023). Practices involving digital platforms, such as Kahoot and Quizizz (Al Ghawail, 2022), and analog games, such as Snakeleev (Galizia et al., 2025), demonstrated potential to make abstract concepts, such as chemical bonds and stoichiometry, more accessible and concrete. The study also highlighted that the success of gamification depends on the balance between challenge, feedback, and collaboration, principles that underpin the state of flow and learner autonomy (Oliveira et al., 2021; Ryan; Deci, 2020). It concludes that gamification is consolidating itself as one of the most promising methodologies in science education, promoting engagement, meaningful learning, and socio-emotional development. In chemistry education, in particular, it transforms the abstract into concrete experience and brings the student closer to scientific practice. The study reinforces that, when planned critically and inclusively, gamification not only facilitates teaching but also humanizes the educational process, making chemical knowledge more alive, participatory, and enjoyable.
KEYWORDS: gamification; chemistry education; active methodologies; motivation; meaningful learning.
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