“REBOBINAR” A HISTÓRIA IMPERIAL:

o acervo do SEDUP como inspiração para uma história potencial

Autores

  • Susel Oliveira da Rosa Universidade Estadual da Paraíba
  • Priscilla Gomes de Araújo Universidade Federal da Paraiba
  • Olaisylenne dos Santos Gonçalo Universidade Federal da Paraíba

DOI:

https://doi.org/10.48017/rc.v4i1.665

Palavras-chave:

Arquivos comunitários, história potencial, resitência, SEDUP

Resumo

O artigo reflete sobre o convite de Ariella Aïsha Azoulay (2024) para desaprender o imperialismo e "rebobinar" a história. A história potencial rejeita o aparato conceitual imperial, como o mito do progresso e a fixação pelo novo, e se inicia no momento anterior à ocorrência da violência. O texto apresenta o arquivo do Serviço de Educação Popular (SEDUP), em Guarabira, Paraíba, como um contra-arquivo de resistência e cuidado com o mundo compartilhado. O acervo do SEDUP configura-se como um arquivo comunitário que, ao ser guiado pela noção de comunidade, se afasta da lógica hegemônica e imperial dos arquivos tradicionais. Ele preserva histórias de organização e lutas de trabalhadores/as rurais, “domésticas” e sindicalistas, constituindo um território de resistências contra o apagamento. A ideia de rebobinar a história é conectada à temporalidade curva/espiralar, combatendo a linearidade do tempo. Isso é concretamente exemplificado pela retomada ancestral dos Assojaba Tupinambá (mantos sagrados), que mostra o potencial de reavivar arranjos pré-coloniais e reverter a história imperial, através dos “contra-arquivos” (Tupinambá, 2022). Essa perspectiva é reforçada ao se usar a expressão "Mãe Terra" (em vez de "planeta"), ligando-se ao "tekoá-porã" (bem-viver) guarani e ao cuidado coletivo com o mundo. Ao potencializar a história através de seu acervo e ações, o SEDUP proporciona um exercício de des(aprender) coletivo, recusando o obturador imperial e promovendo um modo diferente de estar com o outro e em um mundo partilhado.

Biografias Autor

Susel Oliveira da Rosa, Universidade Estadual da Paraíba

Pós-doutorado (2011) e Doutorado em História (2007) pela UNICAMP. Mestrado em História (2002) pela PUC/RS. Graduação em História (1998) pela UFSM. Atuação nas áreas de Ciências Humanas, História do Brasil (período da ditadura civil/empresarial ou latifundiária militar), Filosofia e Teoria da História, Memória e Trauma. Enfoque nos temas: histórias de vida, história das mulheres, tortura, biopolítica, necropolítica, estado de exceção, feminização/cuidado com/do mundo, políticas da amizade, contracolonialidade, dispositivo da racialidade e dispositivo da sexualidade. Autora dos livros: Mulheres, ditaduras e memórias: não imagine que precise ser triste para ser militante (SP: Intermeios/Fapesp, 2013) e A biopolítica e a vida que se pode deixar morrer (SP: Paco Editorial, 2012). Organizadora - com Ana Veiga, Gloria Rabay e Dayane Sobreira - do Dicionário de Mulheres Paraibanas (SP: Pimenta Cultural, 2025). Interessada, atualmente, nas epistemologias originárias e nos arquivos de mulheres e contracoloniais.

Olaisylenne dos Santos Gonçalo, Universidade Federal da Paraíba

Possui graduação em História pela Universidade Estadual da Paraíba (2022), mestrado em História pela Universidade Federal da Paraíba (2025), membra do grupo de pesquisa ProjetAH - História das Mulheres, Gênero, Imagens, Sertões da Universidade Estadual da Paraíba (UFPB) e do Grupo de pesquisa Cultura e Relações Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Publicado

2026-02-02

Como Citar

Oliveira da Rosa, S., Gomes de Araújo, P., & dos Santos Gonçalo, O. (2026). “REBOBINAR” A HISTÓRIA IMPERIAL: : o acervo do SEDUP como inspiração para uma história potencial. Revista De Estudos Indigenas De Alagoas - Campiô, 4(1), 26–38. https://doi.org/10.48017/rc.v4i1.665