“REBOBINAR” A HISTÓRIA IMPERIAL:
o acervo do SEDUP como inspiração para uma história potencial
DOI:
https://doi.org/10.48017/rc.v4i1.665Palavras-chave:
Arquivos comunitários, história potencial, resitência, SEDUPResumo
O artigo reflete sobre o convite de Ariella Aïsha Azoulay (2024) para desaprender o imperialismo e "rebobinar" a história. A história potencial rejeita o aparato conceitual imperial, como o mito do progresso e a fixação pelo novo, e se inicia no momento anterior à ocorrência da violência. O texto apresenta o arquivo do Serviço de Educação Popular (SEDUP), em Guarabira, Paraíba, como um contra-arquivo de resistência e cuidado com o mundo compartilhado. O acervo do SEDUP configura-se como um arquivo comunitário que, ao ser guiado pela noção de comunidade, se afasta da lógica hegemônica e imperial dos arquivos tradicionais. Ele preserva histórias de organização e lutas de trabalhadores/as rurais, “domésticas” e sindicalistas, constituindo um território de resistências contra o apagamento. A ideia de rebobinar a história é conectada à temporalidade curva/espiralar, combatendo a linearidade do tempo. Isso é concretamente exemplificado pela retomada ancestral dos Assojaba Tupinambá (mantos sagrados), que mostra o potencial de reavivar arranjos pré-coloniais e reverter a história imperial, através dos “contra-arquivos” (Tupinambá, 2022). Essa perspectiva é reforçada ao se usar a expressão "Mãe Terra" (em vez de "planeta"), ligando-se ao "tekoá-porã" (bem-viver) guarani e ao cuidado coletivo com o mundo. Ao potencializar a história através de seu acervo e ações, o SEDUP proporciona um exercício de des(aprender) coletivo, recusando o obturador imperial e promovendo um modo diferente de estar com o outro e em um mundo partilhado.
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